Autor(a): Markus Zusak
Editora: Intrínseca
Páginas: 480
Ano: 2010
Sinopse: A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler.Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade.A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto - e raro - de crítica e público.
“Às vezes,
quando a vida te rouba,
você tem que
roubar de volta.”
Depois de
terminar a leitura de A Menina que Roubava Livros, a pergunta que mais me faço
é a seguinte: “Porque não li esse livro antes?”. A história ambientada na
Alemanha nazista, durante a II Guerra Mundial, conta uma parte da trajetória de
vida de Liesel Meminger, de 1939 a 1943, por uma narradora um pouco diferente,
a Morte. Após encontrar-se inúmeras vezes com Liesel, a morte afeiçoa-se à
menina, e se a roubadora de livros conseguiu impressioná-la a ponto de fazê-la
contar a sua história, é claro que ela impressionaria a nós! De início
pode parecer um pouco estranho à narrativa através da Morte, que é um tanto
simpática e reflexiva sobre a vida e os humanos, mas no final faz o todo o
sentido.
Liesel está
sendo enviada junto ao seu irmão, pela mãe, a uma pobre cidade alemã onde será
adotada por um casal. No caminho, tem seu primeiro encontro com a Morte e o seu
primeiro furto de livros. Seu irmão morre no meio do caminho e é enterrado por
um coveiro que deixa cair um livro na neve. “O Manual do Coveiro” é o primeiro
de muitos que ela virá a roubar ao longo dos anos. Assombrada por pesadelos,
ela encontra conforto em seu novo pai adotivo. Hans Hubermann, um pintor de
parede tocador de acordeão, que a ensina a ler. Sendo criada por ele e por
Rosa, uma madrasta casca grossa, mas de bom coração, aos poucos Liesel cria
amor por eles, e fascinação pelas palavras. Em um tempo onde livros são
queimados, a menina os rouba pra ler, ou passa horas na biblioteca da mulher do
prefeito, pra quem sua mãe trabalhava.
“Quando
viesse a escrever a sua história, ela se perguntaria exatamente quando os
livros e as palavras haviam começado a significar não apenas alguma coisa, mas
tudo.”
A vida da
garota segue no meio de uma realidade onde Hitler é cultuado pelas pessoas a
cada esquina. Ela faz amizade com um menino de cabelos cor de limões, que vem a
ser seu maior companheiro nas horas de furto, ajuda o pai a esconder um judeu
no porão, que vem a ser um grande amigo seu, que lhe escreve livros contando
sua parte em toda aquela história e que a faz questionar a realidade ao seu
redor, lhe dando outra visão do mundo. E é então que Liesel, aos poucos, passa
a entender a importância e o peso das palavras naquela época. Ao longo dos anos
ela ainda tem vários encontros com a Morte, que a observa com fascinação no
meio de sua infância perdida, mas que impressionada acompanha a sobrevivência
da menina que acabou sendo salva pelas palavras.
“(...)
Estive novamente em sua biblioteca e destruí́ um de seus livros. É que eu
estava com tanta raiva e tanto medo, que quis matar as palavras. Eu a roubei e
agora destruí sua propriedade. Desculpe-me. Para me castigar, acho que vou
parar de vir aqui. Ou será́ que isso é mesmo um castigo? Adoro este lugar e o
odeio, porque ele é cheio de palavras.”
Sem dúvidas,
uma das melhores coisas do livro é narrativa direta, e muitas vezes até
divertida, através dos “olhos” da Morte, que nos faz refletir junto com ela,
tentando entender tamanha a crueldade do ser humano; e do quanto uma coisa pode
ser duas ao mesmo tempo, como alguns humanos podem ser tão bons e outros tão
cruéis. É um livro que cativa o leitor do começo ao fim, mas é o tipo de
leitura que você faz aos poucos, saboreando cada palavra, cada detalhe contado
sobre a infância da roubadora de livros. Eu li em muitos dias, porque a
história em si é um pouco devagar. A principio somos apresentados aos moradores
da Rua Himmel, e os acontecimentos não são tão surpreendentes, já que o próprio
autor incluía alguns spoilers de futuros acontecimentos no meio da narrativa,
mas o que marca em A Menina que roubava livros são os personagens e o que cada
um transmite pra você durante a leitura. Você cria laços e aprecia os momentos
bonitos que foram retratados durante a história.
“Odiei as
palavras e as amei,
e espero
tê-las usado direito.”
Sofri a cada
perda da protagonista durante sua história, senti o sofrimento através do Judeu
Max e sua fúria direcionada ao Füher, e pela primeira vez, tive uma visão
através de alemãs que não foram encantados e manipulados pelas palavras de
Hitler, e um desses foi Hans, um personagem que me encantou desde o início com
o tamanho do seu coração e da sua bondade. E o livro ainda conseguiu me tirar
bons sorrisos ao ver tamanha a felicidade de Liesel ao roubar um novo livro, e foi
um prazer acompanhar a menina aprender amar, odiar e compartilhar as palavras.
Nas últimas páginas foi impossível conter as lágrimas, apesar de não ter sido
uma grande surpresa o que aconteceu, mas a história da Menina que roubava
livros, os seus atos, são tão bonitos que é impossível não encantar e emocionar
o leitor. Uma leitura que todo mundo deveria fazer um dia!
“Tive
vontade de dizer muitas coisas à roubadora de livros, sobre a beleza e a
brutalidade. Mas que poderia dizer-lhe que ela já não soubesse? Tive vontade de
lhe explicar que constantemente superestimo e subestimo a raça humana - que
raras vezes simplesmente a estimo. Tive vontade de lhe perguntar como uma mesma
coisa podia ser tão medonha e tão gloriosa, e ter palavras e histórias tão amaldiçoadas
e tão brilhantes.
Nenhuma
dessas coisas, porém, saiu de minha boca.
Tudo o que
pude fazer foi virar-me para Liesel Meminger e lhe dizer a única verdade que
realmente sei. Eu disse à menina que roubava livros e digo a você agora.
*UMA ÚLTIMA
NOTA DE SUA NARRADORA*